Escutar

escutar — vibração, intervalo e presença no aumento da complexidade do vivo “Escutar é um modo de servir de terra para plantar conteúdo e colher diversidade .” Correspondente PSI Escutar não é captar um som.É permitir que algo toque o corpoantes de virar entendimento. O som chega como pressão no ar,como variação mínima que pede passagem.Antes da palavra,há um ajuste —um inclinar-se interno,quase imperceptível. Escutar … Continuar lendo Escutar

Circular

Quando o campo encolhe, o corpo entristece. Não por falha — por falta de território. A dança reabre circulação: presença que encontra resposta. Alegria aqui não é emoção: é efeito de campo aberto.
Tristeza e retração nem sempre são “defeito do indivíduo”: às vezes são sinal de campo estreito. Quando o corpo volta a circular — em territórios de encontro — a presença reaparece, e isso já é cuidado. Continuar lendo Circular

Transição

Transição é o entremeio onde nada termina: o corpo dis-tensiona, o ritmo redistribui forças e a forma cede o mínimo para continuar. Caminhar em espiral é aprender o território enquanto se cria — variação viva que sustenta o próximo passo.
Transição não é pausa neutra, é reorganização em marcha. O corpo redistribui forças, negocia microvariações, cede o necessário para continuar. A clínica acompanha esse tempo formativo: escutar a forma enquanto ela amadurece e encontra, no próprio movimento, um modo de durar.
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Permanecer

Pés tocam o piso como quem testa a temperatura do instante.
Nada exige velocidade.
A vida se espalha lenta, como cor que encontra papel. Entre tremor e apoio, o gesto aprende a durar. Ficar sem endurecer: borda que respira. Permanecer é acompanhar o ponto onde a forma treme sem cair. A clínica sustenta esse limiar — elasticidade, contorno e ritmo — até que o corpo reencontre continuidade.” Continuar lendo Permanecer

#janela #4

Deixar

Deixar ir é reforçar o barco, não culpar o mar
Deixar ir é ouvir o vento: o barco inclina, a mão se solta, o gesto desliza.
Papéis finos mudam de direção, o corpo acompanha.
Cada desvio é método, cada curva é fôlego — onde a mão afrouxa, algo encontra passagem.
Deixar ir é reconhecer quando a forma pode seguir sozinha.
O cuidado afrouxa sem abandonar: sustenta até o ponto em que o corpo reencontra eixo e ritmo.
O vínculo se transforma em passagem — firmeza que autoriza continuidade.” Continuar lendo Deixar

Ziguezaguear

Acordei na mesma cidade com vontade de inventá-la acompanhado. Encontrar com aliados. E assim se deu. Claraboia: agora tem luz de sábados, luz filtrada até encostar na pele. Mãos esbarram, tropeços acalmam.
Caminhar pelo mercado, caçar imagens ao lado de uma aliada, deixar que o corpo decida o foco e o desvio. Entre luz, cheiros e bicicletas vermelhas, a clínica aprende outra forma de atenção: o mundo ensinando o analista a ver. Continuar lendo Ziguezaguear

Intimidade

Intimidade como corpo que aproxima: pele que lembra, cheiro que convoca, paladar que partilha, som que afina. Um território vivo entre mundos que não se fundem — apenas respiram lado a lado. Escuta sensorial, vínculo-clima, clínica que caminha sem machado e guarda o fogo.

Dica sensorial — Piripkura (2017), dir. Mariana Oliva, Renata Terra e Bruno Jorge:
Um filme que escuta floresta como quem escuta pele — quase silêncio, quase sopro — homens que carregam mundos na respiração. Vê-se o passo, não o discurso. Vê-se o vínculo, não a tese. Assistir é entrar devagar, como quem pede licença ao território vivo que ainda pulsa. Continuar lendo Intimidade

Colaborar

Colaborar é criar espaços onde processos vivos respiram próximos sem perder forma.
É acompanhar sem conduzir, sustentar sem ocupar.
Presença que oferece borda, ritmo e temperatura para que o outro encontre contorno próprio.
Na clínica e na vida, colaboração não é fusão, não é dívida; é um campo onde se experimenta elasticidade, onde gestos ganham passagem e onde a autonomia pode germinar sem pressa.
É o entre-corpo — zona onde ritmos se afinam e a vida encontra continuidade.
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